ANGULAR (Thúlio Antunes)
Sou o somatório
Desses cacos de vidro
Que de forma caleidocópica
Se espalham pelo chão.
Lembrança de um copo vazio
Que, cansado de estar cheio
De ar,
Expandiu-se em forma de pensar
E em mil pedaços de vida-retalho
Se transmutou.
Sou os ângulos
Dessa pequena lasca
Que ao sol
O arco-íris confunde,
Neste bailar irriquieto
De fazer brilhar
Cacos, vidros e copos de todo dia.
Sou, em verdade,
A inércia desta bandeira
Que tomam por ideal.
A imprecisão desta linha sinuosa
Saindo do papel.
Sou em suma,
Toda a soma
Destes múltiplos sons
Que modificam e transformam
Partículas de cores
Em tons.
Sou o copo, o caco
A lasca e o retalho deste mundo avelã.
Sou muitos.
Sou de fato,
Renan.
Escrito por thulio antunes às 18h58
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